
Se soubesses a falta que fazes falarias? Não falarias. Tu sabes que fazes falta, tu sabes quem eu sou, o que quero e do que gosto. Talvez por isso não fales, porque disse muitas vezes “não gosto de ti”, e não gostava, não gostava do teu rosto distante, sem querer saber, sem querer falar, sem querer desabafar, sem confiar. Gostava muito mais quando não te conhecia, pois não me sentia capaz de definir o que te ia por essa cabeça. Era tudo tão mais simples. Afinal por vezes mantermo-nos na ignorância até sabe bem. Não é bom, mas facilita mais as coisas, não conhecemos e adoramos. Partimos á descoberta e quando conhecemos queremos gostar mas parece que a porta para te conhecer se fecha. Decides esconder as tuas confidências porque não confias e é isso que me faz não gostar. Tentei muitas vezes querer saber de muito, mas as tuas respostas eram tipo telegrama, parecia que o preço da palavra estava caro e com juros máximos. Não te davas conta mas perdias-me assim. Não é um simples tocar de lábios que ajuda, não é um simples dar a mão que me faz sentir orgulhosa, precisei que amasses, que confiasses mas tu nem quiseste saber do que eu queria, parecia que eu pedia coisas impossíveis e irrealizáveis. Não sei onde vives, não sei o que sentias nem sei por onde andas. Já soube. Em tempos andavas em mim mas hoje não. Por isso se um dia sentires a minha falta, achas que eu falarei? Não, “não gostarei de ti”