quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Refúgio de ambos (26.02.2009)


Estou sentada no nosso lugar preferido. Este sítio era a nossa preferência das quartas-feiras à tarde. Éramos capazes de passar aqui uma tarde inteira sem dizermos uma única palavra. Os gestos valiam muito mais que isso. Eram momentos dignos de olhares e carícias especiais. Muitas vezes chamámos a este lugar de "o nosso refúgio". Estar aqui só traz-me saudades desses tempos.
Sentávamo-nos neste banco de pedra que tantas vezes tu dizias ser desconfortável, mas a companhia fazia esquecer pormenores. Olhávamos o infinito juntos e dizíamos que este lugar nunca ninguem nos iria tirar. Naqueles dias de vento para mim havia dois refúgios, o nosso e os teus braços e, embora fossem os dias menos bons, eram os meus preferidos. Esse vento fazia com que as árvores nos presenteassem com um belo espectáculo de dança e de cor. Hoje é mais um dia desses, mas sem a tua companhia não é especial. Não consigo ver a dança das árvores nem a cor pelas folhas secas transmitida. Contigo era diferente. Sentíamos o odor de cada coisa. Lembro-me de que um dia insististe comigo dizendo que o agradável cheiro viria de uma pequena flor que estava mesmo ao lado do banco, contradizendo-me. Hoje percebo o porquê daquela insistência, pois ofereceste-ma sem eu esperar. Ela era, como a nossa relação, tão frágil mas tão bela que ainda hoje a guardo no interior de um livro para lhe poder tocar enquanto penso em ti.
naquele lugar tudo parecia mágico. As tuas mãos pareciam transformar-se em algodão quando me tocavas. O teu sorriso parecia inédito, sendo cada vez mais contagiante. Os teus olhos brilhavam e iluminavam a minha alma deixando-me cada vez mais feliz por partilhar aquele lugar contigo. Saboreávamos os nossos lábios como se fosse a primeira vez que lhes tocássemos. As nossas conversas eram poucas e curtas pois não havia palavras para citar naqueles momentos. O tempo ali parecia que voava. Dissemos várias vezes que ele ia com o vento que me tocava nos cabelos e o fazia levantar-se, que passava por nós à velocidade máxima querendo todas as semanas bater um novo recorde.
Tenho saudades desses tempos em que olhávamos juntos, o final de cada dia com o sol caindo sobre a cidade. Tenho saudades de ti, dos teus abraços, do teu cheiro e até das tuas piadas que libertavam um riso profundo de ambos. tenho saudades de sentir o que sentia nesses dias. Mas o mais importante, tenho saudades de partilhar este lugar e este banco CONTIGO!

Quando chega a hora de dizer adeus (27.09.2008)

Muitos de nós já penámos que um dia temos de dizer adeus. Seja a um amigo, familiar, conhecido ou mesmo ao nosso parceiro. Preferimos não pensar sequer nesse momento mas ele é inevitável. Eu própria me questiono:
- Porque há um fim para tudo? Sim, digam-me porquê! Um dia, uma pessoa, mais sábia pela sua vivência, respondeu-me e disse-me que tudo tem um fim porque também há um início e que nós nos entristecemos mais pelo fim porque, na maioria das vezes, este é menos bom e porque não nos apercebemos da alegria e do valor que tem o inicio. Fiquei um pouco confusa com a sua frase e pedi que me exemplificasse. Ele respondeu ao meu pedido e perguntou-me:
- Quando nasce alguém como ficas?
-Contente.
-E como fica quando alguém falece?
-Muito mal, pior ainda se essa pessoa for conhecida.
Depois da minha resposta ele não disse nada, mas, ainda sem perceber, pedi mais um exemplo.
-quando começas uma relação a dois, um namoro, como ficas?
-feliz, muito feliz se essa relação for fruto de um amor verdadeiro. Então, fico sem palavras para a descrever.
-e quando esse amor verdadeiro desaparece e acaba a relação?
-muito to triste, aborrecida comigo mesma, por talvez não ter mostrado todo o que sentia da melhor maneira, irritada com a vida.
Foi quando comecei a perceber a resposta à minha pergunta e que este “sábio” me disse:
-deste conta das tuas respostas? Quando a acontece algo bom, usas poucas palavras, quase não lhe das a devida importância mas quando é algo mau sentes-te frustrada. As pessoas não gostam do fim por ser mau, mas sim e principalmente porque não valorizam o inicio.
Foi a partir dessas palavras e desse dia que comecei a dar mais valor ao inicio. Fosse inicio do ano, da estação, do dia, do namoro, da vida mas principalmente ao inicio de mim. Quando se dá o devido valor ao nosso inicio o nosso final será quase sempre algo memorável. Por isso, só tenho a dizer: dêem graças ao inicio porque ele é a vida e no que respeita ao fim … RECORDEM-NO!